segunda-feira, 28 de junho de 2010

Parcerias para a Regeneração Urbana; Apresentação e Avaliação do Modelo e dos Resultados

Prof. Doutor João Ferrão; 30JUN10 _ Biblioteca Municipal de Aveiro – 18h » 21h

Convite

No próximo dia 30, Quarta-feira, das 18h00 às 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal de Aveiro, o Grupo AveirÍlhavo, da Plataforma Cidades, promove uma Conferencia & Debate: "Parcerias para a Regeneração Urbana; Apresentação e Avaliação do Modelo e dos Resultados". O Conferencista é o responsável maior pela produção do conceito e da sua adopção enquanto instrumento de intervenção nas Cidades: o Prof. Doutor João Ferrão, Ex-Secretário de Estado do Ordenamento do Território e Cidades.

Sublinhamos que no Baixo Vouga - em Aveiro, Ílhavo, Águeda e Ovar -, estão em curso quatro importantes iniciativas e projectos deste tipo. Aquele do qual haverá um conhecimento e debate maior será, de momento, o do "Parque da Sustentabilidade" (em Aveiro).

Na Conferencia & Debate centrar-nos-emos, obviamente, na percepção e avaliação do conceito, mas dada a sua natureza e a importância que ele próprio confere à requalificação participada dos processos, parece indispensável que, nesse quadro, saibamos identificar as vantagens e os riscos que a nossa experiência local dalgum modo nos vai revelando, bem como os ensinamentos que dela podemos retirar.

O evento é público mas muito ganharia com a sua presença e participação, pelo que renovamos o convite para que não deixe de o fazer. Entretanto – para antecipar um conhecimento que (nalguns casos só) agora se inicia –, tomando a liberdade de juntar os textos que seguem: (i) os Objectivos das Intervenções _ extracto legislativo; (ii) Quem Somos nós – a Plataforma Cidades e o Grupo AveirÍlhavo – e (iii) a Razão de Ser desta(s) Iniciativa(s)

(i)
Regulamento Específico Política de Cidades – Parcerias para a Regeneração Urbana

(…)
Capítulo I Âmbito
Artigo 1º (Objecto)
O presente regulamento estabelece as condições de acesso ao Instrumento de Política “Parcerias para a Regeneração Urbana” inscrito no Eixo 4 – Qualificação do Sistema Urbano, do Programa Operacional Regional do Norte, no Eixo 2. – Desenvolvimento das Cidades e dos Sistemas Urbanos, do Programa Operacional Regional do Centro, nos Eixos 2 – Sustentabilidade Territorial e 3 – Coesão Social do Programa Operacional Regional de Lisboa, no Eixo 2 - Desenvolvimento Urbano, do Programa Operacional Regional do Alentejo e no Eixo 3 – Valorização Territorial e Desenvolvimento Urbano, do Programa Operacional Regional do Algarve.
(…)
Artigo 2º (Definições)
1 Para efeitos do presente regulamento, entende-se por:
a) Cidade ou centro urbano: aglomerado urbano que, independentemente da respectiva categoria, reúna as condições previstas no artigo 13º da Lei 11/82, de 2 de Junho.
b) Parceria Local: conjunto de entidades públicas e privadas que se comprometem com um Programa de Acção integrado de desenvolvimento urbano e celebram um Protocolo de Parceria para a sua implementação.
c) Operação: um projecto ou grupo de projectos coerentes seleccionados pela autoridade de gestão do PO, ou sob a sua responsabilidade, e executados por um ou mais beneficiários.
(…)
Eixo 2 – Desenvolvimento Urbano
Regulamento Específico Política de Cidades – Parcerias para a Regeneração Urbana
.
2 São ainda aplicáveis as demais definições constantes do Regulamento Geral FEDER e Fundo de Coesão.
(…)
Artigo 3º (Parcerias para a Regeneração Urbana)
1 Para efeitos do presente regulamento, entende-se por “Parceria para a Regeneração Urbana” um processo estruturado e formal de cooperação entre entidades que se propõem elaborar e implementar um Programa de Acção comum de regeneração de uma área específica de uma dada cidade.
(…)
2 Uma “Parceria para a Regeneração Urbana” envolve:
a) O Município, a quem cabe tomar a iniciativa de estruturar a parceria e liderar a preparação do Programa de Acção;
b) Outros actores urbanos, nomeadamente:
? empresas, intervindo através de investimentos directos e da participação em parcerias público-privado (PPP);
? associações empresariais, prestando apoio ou serviços a empresas ou outros actores envolvidos na Parceria Local;
? serviços da administração central e outras entidades do sector público, actuando, no domínio das suas competências, no planeamento, execução, financiamento e gestão de infra-estruturas, equipamentos e serviços;
? concessionários de serviços públicos, em particular na área dos transportes e ambiente;
? instituições de ensino, de formação profissional e de investigação, actuando no quadro do apoio técnico, da qualificação de competências e da difusão do conhecimento;
? Fundações, organizações não governamentais (ONG) e outras associações cujo objecto social seja relevante para os objectivos do Programa de Acção;
? moradores e suas associações, participando na proposta de soluções e na implementação de acções concretas previstas no Programa de Acção;
? proprietários, intervindo em acções de reabilitação e valorização do respectivo património ou cedendo espaços necessários ao desenvolvimento das operações previstas.
3 Para além da participação na elaboração do Programa de Acção e do compromisso com o conjunto dos seus objectivos, cada parceiro deverá dar um contributo concreto e relevante para a sua execução.
4 Compete aos parceiros definir a forma organizativa da Parceria Local mais adequada à implementação do Programa de Acção, sem prejuízo do disposto no artigo 21º.
(…)
Artigo 4º (Objectivos das intervenções)
1 O Instrumento de Política “Parcerias para a Regeneração Urbana” integra-se na Política de Cidades Polis XXI, cujos objectivos são:
a) Qualificar e integrar os distintos espaços de cada cidade;
b) Fortalecer e diferenciar o capital humano, institucional, cultural e económico de cada cidade;
c) Qualificar e intensificar a integração da cidade na região envolvente;
d) Inovar nas soluções para a qualificação urbana.
2 São objectivos específicos do Instrumento de Política “Parcerias para a Regeneração Urbana”:
a) Promover a coesão e a inclusão sociais, a integração e a igualdade de oportunidades das diferentes comunidades que constituem a cidade;
b) Promover os factores de igualdade entre homens e mulheres;
c) Estimular a revitalização sócio-económica de espaços urbanos degradados;
d) Qualificar o ambiente urbano e os factores determinantes da qualidade de vida da população;
e) Reforçar a atractividade das cidades através da preservação e valorização de espaços de excelência urbana;
f) Reforçar a participação dos cidadãos e inovar nas formas de governação urbana através da cooperação dos diversos actores urbanos.

(ii)
A Plataforma "Cidades" é um grupo de pessoas que se interessa por responder às duas perguntas seguintes:
. "Para onde é que vai a minha cidade?"
. "Em que cidade gostaríamos de viver?"

A Plataforma "Cidades" é feita de pessoas que se encontram para pensar juntas.
Pensar juntas, o que é a cultura e como é que podemos caminhar para chegar à cidade feita de cidadãos cultos.
Pensar juntas, o que é a educação e como podemos viver em comunidades de gente bem-educada.
Pensar juntas, como é que as escolas, os museus, as bibliotecas, os centros de ciência, as universidades, as empresas, as famílias, os cidadãos podem dar passos para se construir a "Cidade Querida".
Pensar juntas, sobre como matar a fome de bem-estar, de dignidade, de capacidade para viver juntos.
Pensar juntas, o que é preciso para se ser feliz na cidade.
(...)

Texto de Júlio Pedrosa: extracto do "resumo" da Reunião de 30JAN08

nota,
Este grupo reúne (informalmente e com um número variável de presenças) desde 30OUT03


(iii)
AveirÍlhavo
um espaço, uma comunidade _ que futuro?

1.
Aveiro e Ílhavo têm vindo a reforçar-se como uma "comunidade urbana" que partilha, cada vez mais, mais interesses comuns.

O processo de aproximação resulta das dinâmicas de evolução de cada um dos sítios e dos efeitos secundários de projectos concelhios aos quais, na generalidade dos casos, falta uma visão integrada do "eixo" onde ocorrem.

A falta dessa visão estratégica, a segmentação do conhecimento e a tipologia dos processos de decisão adoptados limitam, seriamente, quer a velocidade e abrangência de tais dinâmicas e projectos, quer a sustentabilidade e modernidade dos seus resultados.

Ora, sendo este o quadro no qual AveirÍlhavo se vem constituindo, parece óbvio que se estão a perder oportunidades e a suscitar problemas à comunidade urbana emergente.

2.
A consolidação de uma comunidade urbana AveirÍlhavo será, também, um contributo decisivo para o desenvolvimento de uma outra "constelação urbana" de maiores dimensões e, seguramente, mais rica: a Cidade polinucleada do sul da Região de Aveiro.

Parece, no entanto, que um qualquer desígnio de articular estrategicamente este outro conjunto de "espaços" pressupõe, antes do mais, a instituição do referido eixo AveirÍlhavo.

3.
Temos, agora, muitos novos investimentos previstos para este território; temos, também, novos decisores recentemente eleitos e instâncias de transformação recentemente constituídas; temos, portanto, um conjunto de oportunidades raras de integrar, desenvolver e qualificar dinâmicas, projectos e posturas.

O novo Parque de Ciência e Inovação; Os Centros de Investigação da Universidade de Aveiro e das Empresas; A nova Fundação da Universidade de Aveiro.

A nova Estação de Aveiro da Linha de Alta Velocidade (TGV); O novo Parque da Sustentabilidade; O novo Centro da Cidade, em Ílhavo; O novo Campus da Justiça, e Aveiro; As novas responsabilidades municipais na Educação e na Rede de Escolas; O novo Acesso Ferroviário ao Porto de Aveiro.

Os velhos Museu de Aveiro e Museu Marítimo de Ílhavo; O novo Curso de Medicina e a sua articulação com a Rede Hospitalar e de Centros de Saúde; O velho Teatro Aveirense; O velho Centro Cultural de Ílhavo; A velha Filarmónica.

Os novos Canais Municipais; A velha Ria; O velho POLIS Aveiro e O novo POLIS da Ria; O novo Plano Regional.
O velho comércio e os novos desafios e novas oportunidades comerciais.



AveirÍlhavo 2020
iniciativa do "grupo aveirílhavo" constituído a partir da "plataforma cidades" – grupo de reflexão cívica – visando o desenho do futuro desta nova cidade


Conversar com Aveiro e Ílhavo
Júlio Pedrosa

Aveiro e Ílhavo são duas cidades que vivem lado a lado num dos sítios bonitos de Portugal – as margens da Ria de Aveiro. Estas cidades formam um dos lados de um polígono urbano onde vivem cerca de trezentas mil pessoas. Aqui se faz agricultura, indústria, comércio. Destes sítios se parte á pesca para muitos e distantes mares. Nestas terras tem-se feito ciência, inventam-se tecnologias, acolheram-se encontros pela Democracia, apreciam-se as artes. Enfim, podemos dizer que esta comunidade quer, sem dúvida, “o maior de todos os bens”. Como dizia Aristóteles, há 24 séculos, ao iniciar a sua obra mais notável: “Observamos que toda a cidade é uma forma de comunidade e que toda a comunidade é constituída em vista de algum bem”. Acrescentando, mais adiante: “a comunidade mais elevada de todas e que engloba todas as outras visará o maior de todos os bens. Esta comunidade é chamada ‘cidade’, aquela que toma a forma de uma comunidade de cidadãos”.
Um grupo de pessoas que há alguns anos se reúne para conversar sobre a cidade em que se gostaria de viver convida-nos, agora, a olhar para este núcleo urbano plantado junto à Ria. Aqui estão a acontecer desenvolvimentos importantes, que só podem contribuir para que, quem aqui vive, ou aqui venha a viver, tenha uma “vida boa”.
O Parque de Ciência e Inovação, a linha do TGV, a melhoria dos espaços urbanos, os desenvolvimentos em torno do Porto de Aveiro, as infra-estruturas culturais e educativas, a criação e desenvolvimento de empresas e centros de saber merecem algum tempo de reflexão e o nosso interesse.
Não é prática usual, mas todos nos recordamos de épocas, momentos, casos de empenhado envolvimento e cidadania activa. Os tempos que vivemos apelam a que despertemos para pensar e nos empenharmos naquilo que é de interesse comum. Os encontros sobre AveiroÍlhavo, que aquele grupo de pessoas vai promover, não é mais do que uma oportunidade para se conversar sobre temas de interesse para esta “comunidade mais elevada de todas”, como dizia Aristóteles, que se dá pelo nome de Aveiro e Ílhavo. Lá estarei, com gosto e na expectativa de encontrar muita gente que quer contribuir para vivermos em terra desenvolvida, bonita, educada, solidária, culta.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Preliminares do Parque da Sustentabilidade na Baixa de Santo António

Escrevi há uns dois ou três anos um pequeno texto, que o Diário de Aveiro acedeu em publicar, intitulado “Ser árvore na Baixa de Santo António”. Aí referia a minha perplexidade perante o abate brutal de uma boa parte das árvores que emolduravam o lado poente do parque da Baixa de Santo António. Sem se perceber bem qual o motivo ponderoso que a tal medida havia obrigado a Câmara Municipal de Aveiro, uma vez que tais árvores estavam em perfeita condição, o que é certo é que muitas sucumbiram às moto serras que sobre elas se exerceram sem dó nem piedade, mau grado a profunda contrariedade daqueles que estavam incumbidos de o fazer, sensíveis ao atentado em que viam obrigados a colaborar. Algumas restaram ainda de pé, mas indelevelmente marcadas para um abate que se adivinha eminente, mais perto da zona envolvente da Capelinha dos Santos Mártires.
Vem isto a propósito dos preliminares já em marcha, nos mesmos jardins, com vista ao grandioso projecto do chamado Parque da sustentabilidade.
Desde há alguns dias, que quem por aí passa deve ter ficado surpreendido com a profunda metamorfose que o parque (podermos ainda chamar-lhe jardim?) tem vindo a sofrer.
Vamos por partes: comecemos pelos lagos. De baixa profundidade, é certo, palco de inúmeros entupimentos ou de transbordos que tornaram os caminhos adjacentes ainda mais difíceis de atravessar, ao longo do Inverno, vasto caixote do lixo para onde alguns teimam em despejar todo o tipo de resíduos, ignorando os caixotes que para o efeito existem no local, quando não os próprios caixotes, os lagos conheceram porém bastantes dias de tranquilidade, logo aproveitada por aves migratórias ou pelos bonitos patos que se foram sedentarizando por cá, familiares a todos quantos por aí passam regularmente. Era um gosto vê-los, seguidos pelos filhotes das recentes ninhadas, tal como era um gosto ouvir as rãs que nos anunciavam a proximidade do Verão. Porém, quase de um dia para o outro, os lagos transformaram-se num vasto tanque vazio, de uma parte e, de outra, num tapete musgoso, semeado de destroços variados, pondo a nu a falta de civismo de muitos que por ali foram passando e deixaram a sua marca, à medida que perdiam muitos objectos pessoais, ou faziam pontaria com outros, nos saltos simiescos com que se deleitavam madrugada fora, ao som de gargalhadas insanas, ao atravessarem a ponte suspensa de madeira que aí se encontra.
Vejamos agora os relvados e a vegetação que resta. Dos primeiros, pouco haverá a dizer, se não que se transformaram em erva dura, ressequida por uma falta de rega crónica, ou em terra batida, em resultado do alargamento dos caminhos pedonais pelos próprios passantes, na procura de um terreno menos esburacado para poderem prosseguir o seu caminho sem entorses de maior. Os relvados quase desapareceram, e os caminhos originais também. Da vegetação, constatamos que a base dos troncos das árvores decepadas lá está, como prova do crime ambiental, tal como lá estão alguns arbustos informes, algumas árvores que a natureza menos brindou, tudo numa convivência caótica, à mistura com ervas que crescem por onde lhes apraz, lixo q.b., e alguns pinheiros que nos oferecem ainda alguma sombra e bom ar. Para não mencionar duas promissoras araucárias, sucessivamente doadas por particulares, mas infelizmente plantadas no mesmo sítio, com a ajuda da Câmara Municipal, que bem cedo se esqueceu porém de as mandar regar, como convém às plantas jovens.
E que dizer dos campos de jogos que em boa hora existiram no parque? Deles não restam mais do que as bases de cimento, qual ruína que se adivinha entre ervas daninhas.
Ora é neste cenário infeliz que já há algum tempo atrás, aqueles que por ali passam, se foram deparando com movimentos inusitados de carrinhas várias, transportando o necessário para grandes festividades!
Com toda a intensidade desde o último fim-de-semana, deparam-se os aveirenses que por azar, aí residem, por aí passam, ou que tiveram a infeliz ideia de para aí vir passear, com os preliminares do futuro e tão apregoado Parque da Sustentablidade: barracas de cerveja Super Bock em profusão, um bonito estandarte da mesma cerveja no meio do pretérito relvado e um écran gigante no topo do parque, a debitar um nível de decibéis suficiente para ensurdecer ou enlouquecer qualquer um. E tudo isto para quê?! Para as transmissões da RTP, dos seus anúncios publicitários, da música que transmite, ou de outra que alguém vai colocando repetidamente para preencher os espaços livres, do Mundial, para os intervalos publicitários, para os jogos de futsal….enfim, para o que calha no momento. E o que calha é também o que daí resulta, espalhado por tudo quanto é sítio: garrafas vazias de vidro ou de plástico, copos, latas, papéis, plásticos, etc., para não falar nos improvisos humanos. À mistura, aí forma colocados insufláveis para as crianças brincarem (de aplaudir, não fora o estonteante fundo sonoro das vuvuzelas que os enquadram na paisagem degradada do Mundial). Pergunta-se: Por quê isto? Para quem? Quem pediu? A quem serve? O que se espera daqui em diante?
O que até agora era uma zona sossegada de Aveiro, de habitação, lazer, desporto, e passagem para o Hospital, Conservatório, Universidade, ou de fácil acesso ao centro da cidade, atravessada por centenas de pessoas – um espaço nobre que é e porque é de todos –, está a transformar-se numa zona de marginalidade. De uma forma perversa de marginalidade, que se traduz na marginalização dos próprios munícipes!
Resta-nos ter confiança na Câmara Municipal de Aveiro, e que tudo isto não passe de um brevíssimo momento preliminar (que desejamos ver apagado do nosso olhar e ouvidos) para um Parque da sustentabilidade que todos desejamos verdadeiramente sustentável, a fazer jus à qualidade de vida na nossa cidade, enaltecida por tantos que nos visitam, factor determinante da sua capacidade de atracção e desenvolvimento. Um parque verde, com árvores frondosas, relvados bem cuidados, caminhos definidos, que sirva em plenitude as múltiplas funcionalidades para as quais foi projectado, desde o lazer, à passagem para outros locais da cidade, ao estudo, à convivialidade de famílias, juniores e seniores, encanto de turistas. Um parque que preserve uma das maiores qualidades de cidades de referência europeias, ciosas do valor do SILÊNCIO, como bem fundamental ao bem-estar psíquico, individual e social dos seres humanos, também eles parte da natureza que urge proteger, mas que às vezes dessa condição parecem esquecer-se.

Maria Hermínia Amado Laurel
Prof.ª Universitária

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Apelo aos Parceiros no Parque da Sustentabilidade; Notícia

Em resultado do Apelo aos Parceiros no Parque da Sustentabilidade, receberam-se as mensagens que seguidamente se transcrevem.

Em função do respectivo conteúdo foi adicionado aos Subscritores, o Prof. Doutor Carlos Marques, Director do Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian.



Mensagens recebidas:

1)
De: Director Conservatório [mailto:director@cmacg.pt]Enviada: quinta-feira, 3 de Junho de 2010 11:44Para: Pompílio Souto _ 2Assunto: Re: PdS _ Apelo PlataformaCidades
Ex.mo Senhor
Arquitecto Pompílio Souto,
Muito obrigado pelo mail.
Com certeza que para o Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian o projecto do Parque da Sustentabilidade é importante. Entendemos que a melhoria dos espaços não deve ser feita a qualquer custo e sem uma análise profunda dos reais benefícios para os cidadãos, para a cidade e para a comunidade em geral.
Neste sentido, informo que subscrevo o texto enviado em anexo, solicitando que o meu nome seja acrescentado à lista de signatários.
Com os melhores cumprimentos,
Carlos Marques

2)
De: ADERAV ASSOCIAÇÃO [mailto:aderav80@gmail.com] Enviada: sexta-feira, 4 de Junho de 2010 09:38Para: Pompílio Souto _ 2Assunto: Re: PdS _ Apelo PlataformaCidades
Caro Arqt.º Pompílio
A ADERAV acusa a recepção da vossa exposição, que muito agradecemos, a qual será objecto de ponderação em próxima reunião de direcção.
Com os nossos melhores cumprimentos
Luís Souto

3)

De:
ADERAV ASSOCIAÇÃO [mailto:aderav80@gmail.com] Enviada: segunda-feira, 21 de Junho de 2010 10:40 Para: Pompílio Souto _ 2
Assunto: Re: PdS _ Respostas a Apelo PlataformaCidades

Exmo Senhor Arquitecto Pompílio Souto (Representando os signatários do Apelo aos Parceiros no Parque da Sustentabilidade)

A Direcção da ADERAV reunida em 16 de Junho, apreciou, entre outros assuntos, o Apelo Apelo aos Parceiros no Parque da Sustentabilidade, o qual nos merece os seguintes comentários:

1. A ADERAV é uma instituição com 30 anos, congregando já diferentes gerações, na defesa dos valores do Património e da Cultura da Região de Aveiro.

2. Aquando da candidatura ao QREN, fomos convidados para entidade parceira, como consequência natural do nosso empenhamento na recuperação do património, em particular das igrejas geminadas de Stº António e de S. Francisco em Aveiro, conjunto situado no âmbito da intervenção Parque da Sustentabilidade.

2. A ADERAV viu e vê na candidatura aprovada uma oportunidade única de recuperação de um monumento nacional, de outra forma condenado ao abandono e degradação, mais agora neste contexto recessivo em que o país vive.

3. O Parque da Sustentabilidade foi objecto de discussão pública e as entidades da parceria foram conhecidas do grande público. Aceitando que as opções constantes dos vários projectos podem ser discutíveis, de acordo com as diferentes sensibilidades estéticas e até técnicas, valorizamos o todo e o benefício da intervenção perante um cenário de decadência quase irreversível do parque infante D. Pedro.

3. Como entidade parceira, é nosso entendimento que, estando embora atentos ao pulsar, às sugestões e críticas que vão emanando de certos actores da sociedade civil, será no âmbito da relação insitucional que devemos pautar a nossa actuação.

4. A ADERAV manifesta desde já a sua abertura e disponibilidade para fazer eco das procupações dos cidadãos signatários na sede própria.

Com os nossos melhores cumprimentos

A direcção

Parque da Sustentabilidade; Apelo aos Parceiros no Projecto


Parceiros
Parceiros Investidores

Câmara Municipal de Aveiro
Dr. Élio Maia
Presidente

Universidade de Aveiro
Prof. Doutor Manuel Assunção
Reitor

Junta de Freguesia da Glória
Fernando Tavares Marques
Presidente

Inova-Ria
Eng.º Artur Manuel de Campus Calado
Director Executivo

Clube de Ténis de Aveiro
Prof. Doutor Vitor José Torres
Presidente

Filarmónica das Beiras
Prof. Doutor Manuel Assunção
Presidente

Associação Comercial de Aveiro
Dr. Jorge Silva
Presidente da Direcção

(outros Actores Locais)

Companhia de Teatro "O Efémero"
Vitor Correia
Presidente da Direcção

Amigos do Parque
Eduardo de Sousa (Atita)
Presidente da Direcção

Associação Água Triangular
Paulo Rebocho
Presidente da Direcção

Conservatório de Música de Aveiro
Prof. Doutor Carlos Marques
Director

ADERAV
Dr. Luís Souto
Presidente da Direcção

Florinhas do Vouga
Dr.ª Fátima Mendes
Directora-Geral

Ordem Terceira de S. Francisco
-

QUERCUS Aveiro
Paulo Henrique Grilo Domingues
Presidente da Direcção

(Actores Nacionais)

IHRU
Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana
Nuno Vasconcelos
Presidente do Conselho Directivo


IGESPAR
Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, I.P.
Gonçalo Couceiro
Director


Apelo aos Parceiros no Projecto

1)
Do ponto de vista conceptual, a tipologia de projecto, de propósitos e de instrumentos subjacentes à iniciativa Parque da Sustentabilidade é muito interessante e inovadora.

2)
As parcerias constituídas envolvem entidades que, nalguns casos, são referências nas respectivas áreas de actuação, coisa que é importante todos salvaguardarem, quer para seu governo, quer para nosso benefício.

A dimensão do que se tem em vista realizar é enorme, bem como o seu impacto, sendo que este é, nalguns casos, dificilmente reversível.

3)
O enquadramento estratégico dos casos a tratar; as soluções previstas, os resultados induzidos por grande parte dos projectos conhecidos, e, sobretudo, o modo como, em tudo isso, se incluíram os cidadãos – as suas dúvidas e certezas –, suscitaram um enorme clamor público e uma bastante significativa contestação.


4)
Questionam-se não só opções, mas também – e, sobretudo –, a falta de divulgação fundamentada do que se pretende e de abertura à participação dos cidadãos na busca dos desenvolvimentos e opções que melhor sirvam a cidade.

Este questionamento – ao invés do que alguns pensam – constitui, de facto, um contributo muito positivo e, corresponda ou não aos propósitos dos Parceiros no Projecto, é hoje já uma aquisição que todos devemos vivamente saudar.

5)
Neste quadro, e tendo em conta que agora é (ainda) mais premente o rigoroso escrutínio da oportunidade dos investimentos; considerando que a razão de ser e bondade de um qualquer projecto, hoje, já não deve ser, sobretudo, a facilidade de financiamento das respectivas obras, apelamos:

a) Aos Parceiros no Parque da Sustentabilidade
i. Que, recorrendo às especiais competências e responsabilidades de alguns e a importância de todos no processo, reavaliem os conteúdos e a oportunidade das soluções projectuais e dos investimentos previstos;
ii. Que, nesse processo, não deixem de ter em conta o contraditório constituído pelos Cidadãos, a cada um, a cada caso e a todos, dando resposta clara e sustentada;
iii. Que, perante o eventual dilema de perder comparticipações ou ganhar qualidade e sustentabilidade (disciplinar e pública), nos projectos, optem por esta última;

b) Aos Cidadãos, apela-se que continuem a identificar dúvidas e a procurar respostas, porque, sendo isso justo e bom, é um modo de qualificar os processos e os produtos, neste caso, ajudando a construir a Cidade Querida.




Subscritores do Apelo
por ordem alfabética

ABRANTES Emídio
Lic.º Serviço Social CRI.Aveiro

AMADO Hermínia
Prof.ª Universitária UA

BARTOLOMEU Isabel

Prof.ª E. Básico

BORREGO Carlos

Prof. Universitário UA

CARDIELOS João

Arquitecto

CASTRO Eduardo

Prof. Universitário UA

ESTEVES Estrela

Empresário

FRAGATEIRO Carlos

Prof. Universitário UA

GRAÇA Óscar

Arquitecto

GUIMARÃES Helder T

Arquitecto

JESUS Paulo

Gestor

LAGARTO Vasco

Engenheiro

LEITE Maria Glória

Prof.ª E. Sec.º Esc 2,3 S.Bernardo

MARINHO José C.

Médico USF_S.ta Joana

MARTINS Marília

Psicóloga

MOREIRA Gil

Arquitecto

MOTA José

Prof. Universitário UA

NOGUEIRA Fernando

Investigador UA

OLIVEIRA João P.

Administrador BoschTermotecnologia

OLIVEIRA Mário

Engenheiro APEE

PAVÃO Joaquim

Músico

PEDROSA Júlio

Prof. Universitário UA

PIO Casimiro

Prof. Universitário UA

SANTINHA Gonçalo

Prof. Universitário UA

SANTOS Maria Manuel

Engenheira INDASA

SARDO Susana

Prof.ª Universitária UA

SARRICO Cláudia

Prof.ª Universitária UA

SOARES Amadeu

Prof. Universitário UA

SOUSA M Oliveira de

Prof. E. Sec.º EscS JCCG Ílhavo

SOUTO M.ª Luz

Prof.ª E. Sec.º

SOUTO Pompílio

Arquitecto

TELES Filipe

Prof. Universitário UA

VARGAS João

Investigador UA

VENTURA
Hélder
Arquitecto

VENTURA M.ª Lurdes

Assessora UA

19MAI10

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Esclarecimento

1. Neste blogue, os comentários às publicações estavam sujeitos a moderação.
2. Por lapso, isso não foi feito recentemente e por isso, com o meu pedido de desculpas, vou retirar tais comentários.
3. Para obviar mais lapsos desta natureza, este blogue passa a não receber comentários.

Pompílio Souto

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Aveiro, o parque da sustentabilidade (PdS) e os seus PORQUÊS:Porque será que não consigo ter opinião sobre o Parque da Sustentabilidade

Tentei escapar-me a escrever sobre o PdS. Nada me ocorria. Diziam-me que isto de eu não conseguir articular uma ideia sobre o PdS era, já de si, sintomático…

Acirrada, cá me esforcei por discorrer sobre o assunto, começando por tentar repescar, nos sítios do costume (internet…) ponta por onde lhe pegasse.

A questão que mais insistentemente me ataca é sempre a mesma: PORQUÊ? Porque é que a Câmara resolveu lançar este projecto? Porque é que está disposta a investir energias, sinergias, alergias… naquele local? Porque é que o tema da regeneração urbana não é trabalhado em outros pontos mais carentes e já “sinalizados”?

1ª Constatação: no site da Câmara o assunto está completamente omisso ou, na melhor das hipóteses, muitíssimo bem escondido: não o encontro;

2ª Constatação: no Google o que aparece são as notícias da altura em que o projecto foi divulgado na comunicação social, em princípios deste ano, entrelaçadas com a polémica da ponte e com a iniciativa da Plataforma Cidades de abordagem à Câmara;

3ª Constatação: encontro vagamente a descrição da estratégia, das propostas, da distribuição de custos, dos parceiros;

4ª Constatação: não encontro em LADO NENHUM a descrição das razões, dos pressupostos, dos PORQUÊS, do diagnóstico que eventualmente haja sido feito e que explicariam as opções tomadas: porquê este local e não outro, porquê estas componentes e não outras?

Todas as alusões mediáticas ao projecto referem abundantemente “o envolvimento e a participação dos cidadãos”. A minha questão é que não vejo como pode haver participação pública séria sem que estejamos previamente de acordo quanto às premissas… quanto aos PORQUÊS…

Será por isso que as abordagens que vêm a público têm pouca ou nenhuma influência nos decisores, uma vez que se dedicam a discutir as soluções (ou terapêuticas) no pressuposto de que todos estamos de acordo quanto aos problemas (ou diagnósticos).

E, se num assomo de verdadeira preocupação com a discussão pública destes assuntos, a Câmara quisesse identificar as premissas, diria que elas não se afastariam muito do seguinte:
• Que função, que problemas, que potencialidades evidencia o sub-espaço escolhido para acolher o PdS no conjunto da Cidade de Aveiro
• Que justificação e/ou que outras eventuais localizações poderiam ter – se realmente necessários - alguns dos projectos alocados ao PdS (p.ex. a unidade de imagiologia, a sede do clube de ténis, as instalações da Junta de Freguesia, a ponte pedonal, o centro de educação ambiental, etc…)

Enfim, dir-se-á… tudo diletância… porque a candidatura está aprovada, os parceiros arranjados, a entidade gestora montada, etc, etc… e venha o projecto que “vai revolucionar a zona urbana de Aveiro”, mais os 14 milhões prometidos.

Conforme já se recordou, existem imediatamente a Norte da área em causa, a Sul e no seu próprio seio três Planos Municipais (o Plano de Pormenor do Parque, antigo Estádio, o Plano de Pormenor da Baixa de Santo António e o Plano de Urbanização do Polis) que implicam investimento público considerável, quer para a sua própria gestão, quer para operações financeiras implícitas à sua execução. Todos os três planos (e, mais recentemente, o próprio PU da Cidade que a todos abarca) continuam em doce remanso…

Também estes iriam “revolucionar” aquela zona urbana… Cada um na sua época, obviamente.

Em 2004 a Baixa de Santo António, em 2005 o Polis, em 2006 o Estádio, etc, etc

Que balanço se faz hoje de tudo isso, na altura de lançar mais este projecto urbano pomposamente chamado de Parque da Sustentabilidade? Que articulação existe?

A título de curiosidade, refira-se que, desde sempre, previu o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão do Território, especificamente o artº 144º do DL 380/99, com as sucessivas alterações que, até à data culminaram no DL 46/2009, que “as entidades responsáveis pela elaboração dos instrumentos de gestão territorial promovem a permanente avaliação da adequação e concretização da disciplina consagrada nos mesmos (…)” determinando o artº 146º que “a câmara municipal elabora, de dois em dois anos, um relatório sobre o estado do ordenamento ao nível local, a submeter à assembleia municipal (…) concluída a sua elaboração, os relatórios sobre o estado do ordenamento do território são submetidos a um período de discussão pública de duração não inferior a 30 dias (…)”

Não me lembro de que, em Aveiro, o executivo municipal (o actual, ou qualquer dos anteriores) tenha tentado cumprir a Lei desta maneira.

Ou seja: tenha tentado interrogar-se sobre o impacto e a utilidade que tem sobre as pessoas a tarefa de planear, o que se ganha e o que há a corrigir com a sequência de planos, o que nos poderá levar a todos para novos desafios, o que nos faz parar e desistir.

Passa-lhes depressa a IDADE DOS PORQUÊS.

Maio/2010
Ana Paula Martins, Eng.ª Civil
Plataforma Cidades

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Parque da Sustentabilidade e os do Alboi – mais uma rejeição, essa sim, sustentada

1)
No passado dia 14 realizou-se uma reunião de moradores e de quem trabalha no Alboi para discutir o que o projecto do Parque da Sustentabilidade prevê para o Bairro.
Compareceram muitas pessoas; o Presidente da Câmara apresentou o trabalho e – dada a importância do assunto (não apenas para o Bairro, mas também para a cidade) –, parece importante sublinhar a reter o que segue.

2)
O Projecto – que está praticamente pronto – foi apresentado como sendo uma oportunidade imperdível, uma vez que pouco gastando se poderão obter uns quantos milhões de euros; para tal é preciso que o projecto esteja concluído até 31 de Maio, circunstância que faz com que sejam inaceitáveis pareceres que o alterem substancialmente.

No plenário, muito poucas – ou nenhumas – foram as vozes de apoio às soluções previstas, tendo sido muitas as que protestaram por nada se estar a fazer para resolver os problemas agora, de facto, existentes e muitas outras as que reclamaram contra o que de mal agora ali se pretende fazer.

(…)
O Alboi é um espaço nobre e único de residência no centro da cidade que não precisa de nenhuma "auto-estrada" a atravessá-lo uma vez que isso vai descaracteriza-lo e piorar a qualidade de vida que aqui se tem;
O Alboi já tem, neste momento, comportamentos socialmente reprováveis, ruído e vandalismo demais (e que ninguém reprime), gerados pelos utentes da Discoteca, dos Bares e do Pavilhão do Beira Mar, não precisa, portanto, que tudo isso seja aumentado com muitas das coisas novas que o Projecto prevê;
O Alboi já não tem espaços pedonais e de estacionamento que sirvam quem aqui vive e trabalha, sendo que "oferecer-lhes" para tal, ou os Parques a construir sob os Campos de Ténis na Baixa, ou os existentes na Marques de Pombal e no Canal de S. Roque (usando a nova Ponte para encurtar caminho…!), é, no mínimo… inaceitável;
(…)

Neste quadro e tendo em conta, quer o momento, quer as condições em que se "solicitam" os pareceres e contributos dos cidadãos, houve quem reclamasse – e bem – um pouco de mais "seriedade intelectual".

Pelo meu lado acrescento, com desgosto e (alguma) revolta, que – do meu ponto de vista e, seguramente, do ponto de vista de muitos mais – hoje já estamos num outro tempo, meus Caros Decisores – Autarcas e Outros "parceiros no projecto":
– Um qualquer Projecto só valerá pela bondade do respectivo conteúdo e nunca – nunca mais –, pelo facto de nos permitir obter dinheiros fáceis para fazer obras que assim parecem muito baratas:
– O País, meus Caros, está cheio de coisas muito, muito baratas que só nos atrapalham, que só nos gastam recursos a conserva-las e, pior do que isso, que não nos deixam ver aquilo de que realmente precisamos.

É tempo – e estamos a tempo – de fazer (eventualmente) menos, mas melhor: – Que prevaleça o bom senso.


Pompílio Souto
Arquitecto

terça-feira, 18 de maio de 2010

PARQUE DA SUSTENTABILIDADE: ONDE ESTÁ O AMBIENTE?

O Parque da Sustentabilidade é um projecto liderado pela Câmara Municipal de Aveiro e foi aprovado através do Programa Operacional MAIS CENTRO – Parceiras para a Regeneração Urbana. Afirmar a cidade de Aveiro como um espaço de inovação, de competitividade, criando um espaço com renovado interesse para os munícipes e visitantes, é o objectivo principal da intervenção no Parque da Sustentabilidade. A área de intervenção deste projecto integra 199.106m2, abrangendo as seguintes zonas: Bairro do Alboi, Baixa de Santo António, Parque D. Pedro, Parque Mário Duarte e Rua das Pombas, conforme a figura junto. O Projecto representa um investimento de 14 M€ repartidos por 17 projectos, com uma duração de 36 meses.

O conceito de SUSTENTABILIDADE deve ser pensado com a lógica da sua génese, na definição de desenvolvimento sustentável: satisfazer as necessidades presentes sem limitar as gerações futuras de satisfazerem as suas, numa gestão equilibrada dos domínios económico, ambiental e social (diria a sabedoria popular: “não comas hoje as sementes que precisas para a sementeira de amanhã”).

Assim, e limitando-me ao domínio ambiental, ele assenta nos três grandes recursos: solo, água e ar (deixa-se de fora a biodiversidade, por razões óbvias de área urbana).

Solo: é o recurso mais escasso que existe à “superfície” da Terra. Na Terra, “aldeia global” em que vivemos, reconhecemos a fragilidade e vulnerabilidade da “nave terrestre”. Mas, só a poderemos preservar do aniquilamento pelo carinho, pelo trabalho, eu direi mesmo, pelo amor que dedicarmos a esta frágil embarcação. O espaço do Parque deve ser eficazmente utilizado para cumprir estes objectivos da sustentabilidade. Esta é a melhor e mais eficaz ocupação desse recurso escasso? Serve os munícipes e os visitantes e adequa-se às suas maiores aspirações?

Água: é um recurso limitado na forma utilizável (menos de 0,1% da água que existe no planeta). Sabemos que a procura ultrapassa a oferta do recurso devido ao crescimento populacional e a sua qualidade degradou-se. A gestão da água como recurso limitado foi considerado um dos maiores falhanços do século XX… e o maior desfio do século XXI. Mas também é um potencial de fornecimento de energia. Existe no Parque uma linha de água e um lago que devem ser vistos na perspectiva lúdica (e por isso manter a sua quantidade e qualidade), mas também no apoio à sustentabilidade energética do Parque. Há infra-estruturas de rega que usam esta água sem recuso a energia adicional? Serão aproveitadas as águas pluviais em todo o Parque e edifícios nele integrados? Prevê-se que a linha água e o lago do Parque Infante D. Pedro estejam ligados ao restante Parque, em especial à Baixa de Santo António?

Ar: é um recurso único, é omnipresente e não está confinado por fronteiras físicas. Talvez por isso, a maioria das pessoas tem o conceito errado de que a poluição do ar se dispersa, simplesmente, ao longo do tempo, através da vastidão da atmosfera. No entanto, um ser humano alimenta-se de cerca de 2 kg de alimentos sólidos e líquidos por dia, mas respira 16 kg de ar por dia… Logo a qualidade do ar que se respira tem um efeito determinante na saúde humana! Hoje em dia é possível usar ferramentas matemáticas e laboratoriais (túnel de vento) para conhecer em detalhe a qualidade do ar nas ruas, praças, parques, etc.. Sabe-se que a Av. Artur Ravara é uma via de intenso tráfego rodoviário (cerca de 14.000 veículos por dia) e separa o Parque Infante D. Pedro da Baixa de Santo António. Não havendo nenhuma solução para reduzir/eliminar este tráfego no âmbito do Parque da Sustentabilidade, como se espera minimizar os efeitos das suas emissões na qualidade do ar? Quais são as zonas de elevadas concentrações em todo o Parque, mas em especial no Jardim Infante D. Pedro (com uma orografia complexa) e na Baixa de Santo António (onde se pode aproveitar a sua orientação em relação aos ventos predominantes)? O Bairro do Alboi não pode ser esquecido face ao previsível aumento de tráfego. Um modelo em escala reduzida do Parque da Sustentabilidade para ensaio em túnel de vento daria inúmeras respostas sobre estas e outras situações de qualidade do ar.

Em jeito de epílogo: A nossa relação com o mundo natural está a mudar, mas não a nossa dependência dele. A forma como organizamos a nossa economia depende desta relação – não há nenhuma sociedade sem ambiente, mas existem ambientes sem sociedades!

Carlos Borrego

Professor Universitário - Universidade de Aveiro

Grupo Aveirílhavo - Plataforma Cidades

Parque da Sustentabilidade

A concepção das zonas verdes urbanas evoluiu, desde o Jardim Romântico, de origem francesa, geométrico e bem delimitado, ao Parque Verde, de influência anglo-saxónica, que busca o mimetismo da natureza, ao actual conceito de Estrutura Ecológica Urbana, herdeiro do de continuum naturale, que ambiciona penetrar e atravessar a Cidade.

Este conceito de Estrutura Ecológica apresenta um enorme potencial, não apenas numa perspectiva ambiental, mas também para a estruturação, a organização funcional e o desenho das Áreas Urbanas. Para tal, não poderá ocorrer nas traseiras dos edifícios ou em locais dificilmente acessíveis. Terá que associar-se a percursos, especialmente pedonais e cicláveis e deverá confrontar-se com frente edificada, que inclua equipamentos, comércio, restauração. Necessita de ser acessível e perceptível, para que faça parte do mapa mental do homem urbano relativo ao seu habitat. E necessita de ser marginado por funções diversas, para que seja usado e animado e para que ofereça boas condições de segurança.

Esta reflexão vem a propósito de um projecto recente, da Câmara de Aveiro, denominado Parque da Sustentabilidade.

Antes de o comentar, vale a pena referir a situação actual, de enorme potencial, insuficientemente aproveitado:

- o velho jardim público, Parque Infante D. Pedro, jardim romântico com muito valor de uso e patrimonial;

- a noroeste, atravessando a Avenida Artur Ravara, a zona verde pública da Baixa de Santo António, com qualidade, mas enquadrada por traseiras;

- contíguo a esta, o Cais dos Moliceiros que nos conduz ao espaço natural da Ria e ao desafio de a aproveitar para um uso lúdico;

- na outra direcção, a partir do Parque D. Pedro, oportunidade para o prolongar, um interior de quarteirão de dimensão significativa quase livre de edificação;

- na continuidade, do outro lado da Rua dos Bombeiros Velhos, a zona verde do Bairro de Santiago, também esta muto interiorizada, pouco convidativa.

Esta realidade pode ser observada facilmente através de fotografia aérea, mas talvez não seja perceptível à generalidade dos cidadãos, exactamente porque estes espaços não estão organizados em continuidade, estão segregados entre si.

O grande desafio, a grande oportunidade para a Cidade, é justamente o de estabelecer essa continuidade, criando um eixo ecológico, de lazer e de mobilidade pedonal, polarizador de pessoas e de actividades, complementado por atravessamentos transversais.

Analisado o desenho que existe para o local, verifica-se que não só não responde suficientemente a esse desafio como até, se concretizado, iria comprometer gravemente o potencial existente, especialmente porque:

- entre o Parque D. Pedro e a Baixa de Santo António está prevista edificação que impediria uma relação franca entre as duas áreas;

- entre a Baixa de Santo António e o Cais dos Moliceiros está previsto edifício que impediria a relação visual e, portanto, a perceptibilidade do contínuo ambiental;

- o pequeno espaço ainda disponível na Rua das Pombas, que permitiria a ligação à zona verde do Bairro de Santiago, seria destinado a via automóvel, anulando essa possibilidade.

Tive oportunidade de manifestar esta visão, preocupada, a serviços da Câmara Municipal e apraz-me dizer que ela foi registada com atenção, talvez até com concordância, tendo sido encarada a hipótese de eventuais correcções. É justo referir que, nalguns casos, as correcções poderão não ser fáceis, exigem o rompimento com expectativas e até indemnização perante direito adquirido. Mas a verdade é que são possíveis e absolutamente indispensáveis.

Compete-nos insistir com a Câmara, apoiá-la no caminho da criação de um contínuo verde que mereça o nome de Parque da Sustentabilidade, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida urbana e reforçando a afirmação da Cidade de Aveiro.

Jorge Carvalho

Professor Universitário - Universidade de Aveiro

Grupo Aveirílhavo - Plataforma Cidades

quarta-feira, 24 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Parque da Sustentabilidade - Master Plan

Parque da Sustentabilidade - Alboi

Parque da Sustentabilidade - Reabilitação da Antiga Companhia Aveirense de Moagem

Parque da Sustentabilidade - Edifício e Equipamento de Animação e Formação Artístico-Cientifica

Parque da Sustentabilidade - Ligação entre Parque D. Pedro e a Baixa de St. António

Parque da Sustentabilidade - Casa da Comunidade Sustentável

Projectos do Parque da Sustentabilidade - Unidade de Imagiologia

AveirÍlhavo - um espaço, uma comunidade _ que futuro?

1.

Aveiro e Ílhavo, apesar de terem origens, passados e vidas diferentes, têm vindo a reforçar-se como uma "comunidade urbana" que partilha interesses comuns.

O processo de aproximação não tem sido nem pensado, nem programado. Resulta, apenas, de dinâmicas associadas à simples ocorrência de acontecimentos inesperados, ou à natural evolução das especificidades dos sítios, ou, ainda, à concretização de projectos nos quais, comummente, não se vislumbra um desígnio, um pensamento ou uma visão integrada e integradora do "eixo", que Aveiro e Ílhavo constituem.

Complementarmente, quer a velocidade e abrangência de tais dinâmicas, quer a sustentabilidade dos resultados, têm sido fortemente condicionadas pela ausência desse propósito, pensamento e visão estratégicos.

Finalmente, a segmentação do conhecimento disponível, a reduzida divulgação dos saberes instalados, a tipologia dos processos e tempos das tomadas de decisão, limitam seriamente a capacidade para transformar este espaço de modo inovador.

Ora, sendo este o quadro no qual AveirÍlhavo se vem constituindo, parece óbvio que se estão a perder oportunidades e a suscitar problemas à comunidade urbana emergente.

2.

A consolidação de uma comunidade urbana AveirÍlhavo será, também, um contributo decisivo para o desenvolvimento de uma outra "constelação urbana" de maiores dimensões e, seguramente, mais rica: a Cidade polinucleada do sul da Região de Aveiro.

Parece, no entanto, que um qualquer desígnio de articular estrategicamente este outro conjunto de "espaços" pressupõe, antes do mais, a instituição do referido eixo AveirÍlhavo.

3.

Os novos investimentos previstos para este território – AveirÍlhavo -, os decisores recentemente eleitos e as instâncias de transformação recentemente constituídas podem gerar, em conjunto com o que já existe, oportunidades raras de integração, desenvolvimento e qualificação de dinâmicas e projectos instalados ou a instalar.

O novo Parque de Ciência e Inovação; Os Centros de Investigação da Universidade de Aveiro e das Empresas; A nova Fundação da Universidade de Aveiro.

A nova Estação de Aveiro da Linha de Alta Velocidade (TGV); O novo Parque da Sustentabilidade; O novo Centro da Cidade em Ílhavo; O novo Campus da Justiça; As novas responsabilidades municipais na Educação e na Rede de Escolas; O novo Acesso Ferroviário ao Porto de Aveiro.

Os velhos Museu de Aveiro e Museu Marítimo de Ílhavo; O novo Curso de Medicina e a sua articulação com a Rede Hospitalar e de Centros de Saúde; O velho Teatro Aveirense; O velho Centro Cultural de Ílhavo; A velha Filarmónica.

Os novos Canais Municipais; A velha Ria; O novo POLIS da Ria; O novo Plano Regional.

O velho comércio e os novos desafios e oportunidades comerciais.

O novo Reitor da UA; Os Autarcas; Os responsáveis por Hospitais, por Centros e Unidades de Saúde, pela Justiça e pela Segurança Social; os Directores dos Agrupamentos e das Escolas, os Directores e Direcções Regionais e os Deputados.

Enfim, novos e velhos actores são convidados a pensar, debater e projectar velhos desafios e novas oportunidades e a equacionar que exigências e reptos querem enfrentar.

Nós, - os Cidadãos que queremos ser sempre -, dispomo-nos a ser mais exigentes e participantes na construção da cidade amiga, aprazível, eficaz e sustentável.

4.

O "Grupo AveirÍlhavo 2020" – gerado na "Plataforma Cidades" ("grupo de reflexão cívica) que visa o desenho da "cidade querida" (*1) -, considera que nas circunstâncias presentes é imperioso que nos juntemos para uma reflexão sobre esta comunidade alargada.

O que se visa é a descoberta de caminhos que ajudem a pensar modos e vias para identificar e superar omissões, para evitar rupturas e para melhorar a qualidade de vida nestes lugares, concebendo cenários exequíveis e sustentáveis de futuros que acolham os nossos sonhos colectivos.

O que se preconiza é o alargamento, o aprofundamento e a divulgação das reflexões que, a propósito da "cidade querida", um pequeno grupo de pessoas vem promovendo há alguns anos (*1).

Para tal (i) aprofunda-se a análise e debate com o envolvimento de detentores de informação, conhecimento e saber relevantes e de quem teve e tem capacidade de decidir; (ii) associa-se a comunicação social à divulgação, quer dos contributos especializados e outros, quer das conversas, debates e outras iniciativas centradas nalgumas das matérias que identificámos como estratégicas para os fins em vista; finalmente (iii) constitui-se um sítio onde tudo esteja acessível aos cidadãos.

Espera-se, com isso, colocar na agenda das pessoas e na de quem decide, aquilo que parece ser importante para um seu melhor desempenho cívico e profissional; espera-se, também, com tudo isto, suscitar alguma dinâmica de interesse e participação cívica que qualifique a nossa vida e o que com ela vamos fazendo por aqui.

5.

Assim, (i) ao longo de um mês far-se-á a publicação e debate, nos meios de comunicação (tradicionais e outros), dos contributos de diferentes olhares especializados e outros, sobre um determinado tema ou caso; depois, (ii) na primeira segunda-feira do mês seguinte, far-se-á a "conversa & debate _ síntese" sobre essa matéria deixando o resultado e tudo o mais em "sítio" da internet a tal dedicado.

Em documentos separados iremos dando conta dos temas e casos agendados, das parcerias e dos contributos assegurados e dos locais onde – alternadamente, em Aveiro e Ílhavo – irão decorrer as "conversa & debate _ síntese".

Comentários: plataformacidades@gmail.com

AveirÍlhavo 2020

AveirÍlhavo 2020

iniciativa do "grupo aveirílhavo" constituído a partir da "plataforma cidades" – grupo de reflexão cívica – visando o desenho do futuro desta nova cidade



Este espaço é da responsabilidade do "Grupo AveirÍlhavo 2020", gerado na Plataforma Cidades